Oi Mãe,
Hoje completa dois anos da tua partida. É uma saudade que não acaba mais. Desde que te foste, todos nós temos tentado fingir e fugir da tua ausência. Mas ela está em cada canto, a cada dia, toda hora. E ao mesmo tempo parece que estamos sempre à tua espera, da tua chegada, do teu retorno.
É uma sensação estranha ver as tuas coisas, na tua casa, sempre imóveis no mesmo canto. Parece que foi ontem que deixaste ali e nos despedimos para a tua viagem, dizendo que em poucos dias nos veríamos de novo, pedimos que cada um se cuidasse e demos um beijo.
Foi difícil te reencontrar de novo, inconsciente, cheia de tubos naquela UTI. E mais dolorido e insuportável foi me despedir de ti dessa vida, mesmo acreditando que serias bem recebida e estás em um lugar sem dor, sem sofrimento, e onde esperas nosso reencontro ainda sem data marcada.
Mantivemos tudo do jeito que tu tinhas. Doamos tuas roupas, mas alimentamos a tua alma porque assim seria teu desejo. Tuas plantas cresceram, floresceram e continuam lindas. Tua neta, que não chegaste a conhecer, está a cada dia mais linda e parecida contigo. E todos nós estamos seguindo em frente.
Por mais que o tempo amenize a dor, ele não impede de sentir tua falta. A saudade cresce na mesma proporção dos segundos dos dias que se passam. Ainda bem que temos boa memória para lembrar de tudo o que passamos juntos (de bom e de ruim).
Também carrego comigo a força que tu tinhas, um jeito de nunca desistir, de não reclamar, de acreditar que tudo daria certo (- Deus é grande! -, como dizias). Sei que se fosse situação inversa, tu também não irias desistir e gostarias que fosse assim.
Mas confesso que não somos mais os mesmos. Não depois da tua partida. Mas tu fazes tanta falta, que a gente chora toda vez que vai rezar por ti na tua nova morada. A vida ficou mais dura e mais real sem ti. O que nos consola é saber que nos amamos tanto e isso permanece vivo. E nunca vai morrer.
0 Vai me deixar falando sozinho?:
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